Capítulo 9 — A Briga Que Escolheu Hora

Capítulo 9 — A Briga Que Escolheu Hora

Riku Takenaga cuspiu sangue na tigela de sopa antes de perceber que tinha mordido a própria língua.

Joel olhou para a tigela.

Depois para Riku.

— Eu cobro outra.

Riku levantou os olhos devagar.

— O quê?

— Tigela manchada. Eu cobro outra.

Diogo riu pelo nariz.

— Gostei dele.

Riku virou o rosto.

— Você gosta de muita coisa idiota?

— Hoje só duas. Sopa ruim e cultivador que se acha faca.

A mão de Riku parou perto da tigela. Não foi ameaça aberta. Foi só o corpo lembrando onde guardava o golpe.

Diogo viu.

E sorriu.

Sandra bateu a ponta da faca na mesa.

Uma vez.

— Come.

Riku mediu Sandra por alguns segundos. Depois voltou para a sopa. Não porque aceitara. Porque entendeu que bater de frente com ela naquela hora não dava lucro.

A mesa ocupava o meio do pátio, entre a varanda quebrada e a porta do armazém. À direita ficava a fonte; do outro lado, a oficina. Sandra tinha posto todos ali para que nenhuma frente saísse do campo de visão.

Wellington permanecia junto à parede da oficina, respirando raso para a costela não morder. Alessandra observava a água parada num balde de cobre. Kauã não estava em lugar visível, o que significava que trabalhava na borda alta.

Davi sentava no chão, entre Marta e Heren, com carvão numa mão e uma pedra lisa na outra. Sandra mandara que desenhasse tudo de que lembrava.

Três riscos curtos.

Um longo.

Cinco pontos.

Um círculo.

Então ele apagava com a palma e começava de novo.

Marta tocou o ombro dele.

— Não precisa forçar.

Davi não parou.

— Se eu parar, o lugar muda.

A colher de Joel ficou suspensa.

Do portão norte, Nilo apareceu correndo.

Não gritando.

Isso foi pior. Gente que grita ainda acredita que tempo existe. Nilo corria com o rosto de quem já tinha perdido alguns segundos antes de começar.

Sandra levantou.

— Norte?

— Leste. Brina está viva, mas a nascente desceu.

Joel franziu a testa.

— Nascente não desce.

Wellington saiu da parede.

— Hoje tudo resolveu aprender perna.

Nilo pôs sobre a mesa uma tira molhada de pano azul.

Alessandra a ergueu com a ponta de uma vareta. Uma gota caiu do tecido, rolou para cima pela madeira e parou diante da tigela de Riku.

Então escreveu na sopa.

I.

O.

R.

I.

Iori.

A mesa pareceu encolher em volta do nome.

Riku se levantou tão rápido que o banco tombou.

— Onde?

A voz saiu baixa demais.

Sandra respondeu:

— Não sabemos se é ele.

— Eu perguntei onde.

Alessandra acompanhou o último movimento da gota.

— Isso quer que você pergunte.

Riku puxou uma faca curta da manga.

Diogo deu um passo.

— Guarda.

— Sai da frente.

— Não.

— Eu não falei com você.

— Falou quando puxou faca na mesa da minha casa.

O pé esquerdo de Riku recuou meio dedo. O ombro direito relaxou. A faca baixou como se ele tivesse desistido.

Wellington viu a mentira.

— Diogo.

Tarde.

Riku não desapareceu. Quebrou a leitura do pátio.

Num instante estava diante da mesa; no outro, ao lado de Davi, com a lâmina descendo sobre a pedra desenhada.

Diogo chegou primeiro.

Não porque fosse mais rápido.

Porque já tinha decidido ficar entre Riku e todos os outros desde a primeira colher.

O antebraço entrou no caminho da faca. A lâmina rasgou pele. Diogo fechou a mão no pulso de Riku.

— Eu disse guarda.

Riku deixou o pulso preso, girou o corpo e bateu o joelho na costela dele. Diogo perdeu ar. Riku acertou a testa em seu rosto, escapou do aperto e tentou alcançar a pedra de novo.

Heren a chutou para longe.

Marta puxou Davi para a porta do armazém.

Diogo empurrou Riku através da mesa. Madeira, sopa e água subiram juntos. Os dois bateram no poste da varanda; o poste rachou.

Kauã surgiu no telhado da oficina com o arco armado.

— Sandra.

— Não atira.

Diogo ergueu o machado sobre Riku.

— Diogo! — Sandra gritou.

Ele parou.

Riku olhou para a lâmina acima do rosto e riu.

— Aí está. O cachorro aprende coleira.

A frase entrou errada no pátio.

A água sobre a mesa vibrou. O nome Iori se desfez e virou três riscos curtos, um longo.

Wellington sentiu o estômago gelar.

— A frase não foi dele.

Alessandra completou:

— Foi colocada.

Por meio segundo, Riku pareceu não reconhecer a própria boca.

A Montanha tinha usado a raiva dele para falar.

— Sai da minha cabeça.

A água respondeu.

Tac.

Tac.

Tac.

Riku virou para o sul.

Diogo acertou um soco no peito dele e o impediu de correr.

Riku caiu três passos adiante, mas ficou de pé.

Agora não era contenção.

Era briga.

Sandra viu antes dos outros.

— Crianças no armazém. Joel conta na entrada. Heren fecha ferramenta. Alessandra, fonte. Wellington, leitura. Kauã, borda alta. Nilo, norte.

As ordens dividiram o pátio sem deixá-lo vazio.

Do leste veio som de água onde não havia rio. Do norte, um sino respondeu sem corda. Do oeste, uma cabra gritou como gente.

Wellington olhou para Sandra.

— Ela esperou a briga.

— Eu sei.

Diogo e Riku avançaram.

A primeira troca foi feia.

Diogo bateu o cabo do machado na lateral do corpo de Riku. Riku recebeu girando, usou o impacto para entrar por dentro da guarda e levou a faca à garganta dele.

Diogo inclinou o pescoço. A ponta abriu uma linha rasa.

O machado esquentou.

Pouco.

Mas Riku percebeu.

— Então é verdade.

Diogo respondeu com uma cabeçada.

Riku cambaleou e recuou para o lado errado.

Só que o lado errado era certo para Takenaga.

O pé dele pisou numa sombra de bambu que não existia. O corpo deslizou dois palmos além do esperado, e a lâmina do machado passou raspando na roupa.

Três fios finos de aura prenderam-se ao chão, à mesa quebrada e ao poste. Bambu invisível. Não forte como corrente. Forte como direção.

Diogo deu um passo; o chão tentou escolher outro pé para ele.

Ele parou.

Riku sorriu.

— Agora você entende.

Diogo olhou para os fios.

— Entendo que você corre muito para alguém querendo brigar.

Riku veio pela esquerda, mudou no meio e fez a faca aparecer à direita enquanto o joelho atacava o centro.

Diogo não escolheu ameaça.

Entrou.

Recebeu o joelho na barriga, deixou a lâmina rasgar o ombro e bateu o cabo do machado no quadril de Riku.

Riku perdeu o eixo, mas usou a queda. Prendeu a perna de Diogo e o puxou junto. Os dois bateram na terra. Riku caiu por cima e chutou o machado para perto da fonte.

— Sem isso, você é só grande.

Diogo sorriu com sangue nos dentes.

— Sem faca, você é só magro.

Ele soltou o pulso de Riku.

A lâmina desceu.

Diogo virou tarde de propósito. A faca entrou no ombro, junto à clavícula: longe de matar, fundo o bastante para doer certo.

Riku tentou puxar.

Diogo fechou a carne em volta do metal e prendeu a arma no próprio corpo.

A aura vermelha subiu pelo braço dele.

— Minha vez.

A testa de Diogo bateu na boca de Riku. Um dente caiu na terra.

Riku recuou, deixando a faca no ombro.

Na porta do armazém, Joel perdeu a conta das crianças.

— De novo — disse uma menina.

— Não ajuda.

Perto da fonte, Alessandra tocou a água com dois dedos.

A superfície não refletia o céu. Refletia o pátio visto de cima. No centro, sob Diogo e Riku, havia um buraco que não existia.

— Sandra. A fonte está vendo por cima.

Do telhado, Kauã respondeu:

— Tem olho no leste. Não é gente.

A água prendeu os dedos de Alessandra. Uma película azul envolveu sua mão e separou pele de corrente. Antes de cair, porém, a água desenhou no ar uma linha da fonte até Diogo.

Depois de Diogo até Davi.

— Não é o duelo — Alessandra disse.

Wellington já tinha entendido.

— É a sombra que o duelo faz.

Davi observava da porta do armazém.

Não com medo.

Com a atenção que a Montanha queria aprender.

Sandra foi até ele. Uma tábua saltou da varanda e caiu no caminho. Wellington a chutou para o lado, pagando com a costela.

— Vai.

Riku viu a abertura. Em vez de correr para Davi, avançou contra Diogo.

Queria que ele impedisse.

Outro choque. Mais dor, calor e resposta.

— Ele está alimentando você! — Wellington gritou.

Diogo arrancou a faca do ombro e a jogou na terra. O machado tremeu perto da fonte.

Riku sorriu.

— Viu? Você quer.

Diogo avançou sem buscar a arma.

O primeiro soco acertou o peito. Riku desviou do segundo e do terceiro. No quarto, Diogo não socou.

Pisou.

O pé esmagou um dos fios invisíveis. O bambu de aura estalou.

Riku arregalou os olhos.

Diogo agarrou a gola dele.

— Eu também aprendo.

Riku bateu os cotovelos nos braços de Diogo, acertou-lhe a garganta com a testa e enfiou dois dedos na ferida do ombro.

Diogo não soltou.

A aura vermelha vazou do corpo, baixa e pesada. Joel recuou com as crianças. Nilo virou o rosto no portão, como se o vento tivesse aquecido.

Riku sentiu.

E abriu os braços.

— Então vem.

Diogo o bateu no chão.

Uma vez.

A terra rachou.

Duas.

A mesa cedeu.

Na terceira, o poste da varanda tombou.

Cada impacto os arrastara para o lado da fonte. O machado continuava ali, a poucos passos, mas os fios falsos de Riku ocupavam o espaço entre Diogo e a arma.

Kauã disparou entre a luta e a fonte. A flecha explodiu em luz seca e cortou a linha de água que buscava Davi.

Alessandra fechou a fonte com as duas mãos.

— Agora!

Wellington pegou a pedra desenhada e a lançou para Heren.

— Quebra sem tocar no círculo.

— Isso é uma frase idiota.

— Faz mesmo assim.

Heren prendeu a pedra entre duas chapas e bateu de lado.

Ela rachou.

O círculo apagado apareceu por dentro.

Não era carvão.

Era sulco.

Marta levou a mão à boca.

— Ele só desenhou.

— Alguém desenhou com ele — Alessandra disse.

Riku rolou antes do golpe seguinte, recuperou a faca e cortou o ar.

Não acertou corpo.

Acertou rota.

O espaço dobrou meio passo. Três Rikus cercaram Diogo. O da frente tinha a sombra errada. Diogo golpeou mesmo assim.

A cópia sumiu.

A faca real entrou pelas costas.

Diogo travou. A ponta apareceu à frente, longe do coração, mas funda o bastante para lembrar que corpo tem limite.

Ele segurou a lâmina com a mão.

Riku tentou recuar pela rota que acabara de abrir. Diogo fechou os dedos sobre a ponta e negou a distância.

O metal abriu sua palma. Riku perdeu o meio passo de que precisava para desaparecer.

— Você lutou com cinco no sul — disse Diogo.

Riku respirava atrás dele.

— Cala a boca.

— Voltou sozinho.

Riku torceu a faca.

— Cala a boca.

— E agora quer me fazer pagar por não ter trazido o menino.

O machado no chão escureceu sob um fio vermelho.

Forja Carmesim.

Não era grande.

Mas era real.

Diogo fechou os olhos por um instante.

— Eu entendo chegar tarde.

Riku ficou imóvel.

— Não fala isso.

— Eu entendo.

Riku arrancou a faca e atacou o pescoço.

O golpe que podia matar veio sem trilha falsa. Rápido. Limpo. Só ódio honesto.

Diogo poderia receber com o braço e transformar dor em carga comum.

Não fez.

Entrou no corte.

No último fio de distância, a mão esquerda alcançou o machado no chão.

A faca tocou a pele do pescoço.

O machado subiu.

Não para cortar Riku.

Para aparar.

Metal contra metal.

O som não foi alto. Foi pesado, como se alguma coisa dentro do pátio tivesse sido martelada por dentro.

A faca partiu.

A aura vermelha correu para o machado como sangue puxado por raiz.

Não era golpe recebido.

Era quase-morte recusada no instante certo.

Riku recuou com o cabo quebrado. Pela primeira vez desde que chegara, pareceu assustado.

Diogo também.

Olhou para a arma como se ela tivesse respondido uma pergunta que ele ainda não sabia fazer.

A Montanha respondeu antes de todos.

Tac.

Tac.

Tac.

O chão entre eles abriu uma linha fina.

Três riscos curtos.

Um longo.

O quinto.

E, ao redor dos cinco, um círculo.

Davi começou a tremer atrás de Sandra.

— Não olha — ela disse.

— Quando dois ficam no meio, ele acha o centro.

Do fundo veio cheiro de bambu molhado, ferro quente e água parada.

Sul, oeste, leste.

Três frentes reunidas no centro.

Kauã saltou do telhado.

— Norte respondeu.

Nilo surgiu no portão, pálido.

— O sino caiu de baixo para cima.

Joel puxou as crianças para dentro. Marta entrou por último, mas Davi parou na porta.

— Falta um.

Sandra virou.

— Quem?

Davi apontou para Riku.

— Ele não voltou inteiro. Tem alguém segurando o nome dele pelo sul.

Riku deu um passo para a linha.

Diogo pôs o machado no caminho.

— Não.

— Você ouviu o menino.

— Ouvi.

— Então sai.

A aura vermelha ainda corria fina pela lâmina.

— Você passa por mim primeiro.

Riku atacou em desespero.

Sem faca, usou mãos, cotovelos, ombros e joelhos. Tentava trocar de rota no meio de cada movimento, mas quadril, calcanhar e ombro mentiam antes da técnica.

Diogo começou a bater nessas mentiras: um golpe no quadril, um empurrão no peito, um joelho na coxa. Quando Riku tentou desaparecer pela quarta rota, recebeu uma cabeçada no lugar em que precisava reaparecer.

Era inteligência de briga.

A linha no chão pulsava com eles. Abria quando Diogo pisava, virava quando Riku recuava, aprendia quando os dois colidiam.

Alessandra gritou:

— Está copiando o ritmo!

Sandra viu a fenda crescer.

— Diogo, termina sem matar.

Riku avançou por baixo do machado, onde a arma era lenta. Uma mão buscou a garganta; o joelho mirou a ferida.

Diogo largou o machado.

Riku sorriu.

Erro.

Diogo pegou o braço dele com as duas mãos, girou e bateu o ombro no peito.

Foi porta fechando.

Riku perdeu ar. Diogo chutou a dobra do joelho, prendeu-lhe o braço nas costas e o derrubou de cara na terra. Caiu junto, usando o próprio peso para bloquear a troca de rota.

— Chega.

A aura de Riku estourou em fios de bambu.

Kauã cortou dois com flechas. Wellington pisou no terceiro com Aura Rosa. Alessandra separou água de terra. Sandra cortou o fio que seguia para Davi.

Heren lançou sal grosso sobre a rachadura.

Joel, da porta, jogou também. Só depois percebeu quanto.

— Droga.

A linha chiou.

Riku ainda se debatia. Diogo aproximou a boca do ouvido dele.

— Se quer morrer por culpa, espera sua vez. Aqui tem fila.

Riku parou.

Não porque aceitara.

Porque a frase acertou onde golpe nenhum tinha chegado.

A rachadura bateu, irritada.

Tac.

Tac.

Tac.

Kauã se aproximou da borda.

— Tem cabelo.

Riku quase tirou Diogo do lugar.

— Iori!

— Não.

— É ele!

Wellington ajoelhou perto da fenda. Havia um tufo de cabelo preto, curto e molhado, amarrado com fio azul.

Nenhuma cabeça.

Nenhum corpo.

Só o tufo.

— Não é corpo — Alessandra disse.

Riku tremia sob Diogo.

— Então o que é?

Sandra respondeu:

— Isca pessoal.

A raiva saiu de Riku, deixando vergonha, dor e vazio.

Diogo tirou o joelho de suas costas, mas manteve uma mão no ombro dele.

A fenda começou a fechar sob o esforço conjunto. Heren lançou mais sal. Alessandra reteve a água. Kauã cravou três flechas ao redor. Sandra passou a lâmina verde sobre a linha. Wellington pôs a pedra rachada de Davi no centro.

Diogo bateu a parte cega do machado no chão.

Uma vez.

O vermelho desceu como peso.

A rachadura fechou.

Do leste, a água voltou a correr. No norte, o sino enfim caiu no chão. A cabra no oeste parou de berrar.

A Montanha perdera o centro.

Por enquanto.

Diogo sentou ao lado de Riku. Os dois respiravam como se tivessem corrido a floresta inteira.

Wellington olhou para o machado.

— Você aparou.

— Eu sei.

— Não só bloqueou. Aparou no último instante.

Diogo observou o fio vermelho dentro da lâmina.

— Pareceu burrice.

— Foi quase isso.

— Então ainda sou eu.

Riku riu, pequeno e doído.

Diogo olhou para ele.

— Achou graça?

— Você luta como uma parede com rancor.

— E você, como caminho ruim.

Sandra apontou para os dois.

— Chega de amizade.

— Isso é amizade? — Riku perguntou.

— No caso de vocês, infelizmente.

Alessandra levou o tufo de cabelo para uma chapa de ferro. No fio azul havia dois padrões: três riscos curtos e um longo; abaixo deles, sete marcas menores.

Wellington sentiu a resposta chegar errada.

— Não é só Iori.

Kauã olhou para o sul.

— Tem mais gente presa.

Nilo voltou do portão e abriu a mão. A cinza do sino escrevera uma sílaba na palma.

Ta.

Riku leu antes dos outros.

Takenaga.

A fonte respondeu com uma gota.

Mi.

Mizuhara.

Dentro da oficina, metal bateu sozinho.

Ishi.

Ishidoro.

Wellington olhou para Sandra.

— Ela não está aprendendo só a vila.

Sandra fechou a mão na lâmina.

— Está chamando os clãs pela metade.

Diogo tentou levantar. O corpo recusou.

Riku tentou também e caiu de joelhos. Diogo segurou seu braço antes que o rosto batesse no chão.

Os dois ficaram imóveis, odiando precisar um do outro.

Davi apareceu na porta apesar da mão de Marta.

Olhou para a cinza. Para a fonte. Para o sul.

— Não é chamado.

Sandra virou.

— O que é?

Davi engoliu seco.

— É contagem.

Lá embaixo, em setores diferentes da Montanha, três batidas começaram ao mesmo tempo.

Sul.

Leste.

Oeste.

Tac.

Tac.

Tac.

Depois uma quarta veio debaixo do pátio.

Mais funda.

Mais perto.

Tac.