Capítulo 10 — O Corpo Cobra Primeiro
Diogo tentou levantar o machado.
O machado não levantou.
Isso foi pior do que a dor.
Ele fechou os dedos no cabo outra vez. A lâmina arrastou meio dedo pela terra e parou.
Heren, ajoelhado ao lado dele com agulha, pano e sal, disse:
— Se puxar de novo, costuro sua mão no chão.
— Costura rápido.
— Estou tentando costurar carne, não couro de sela.
Heren enfiou a agulha.
Diogo travou a mandíbula. Não gritou. O corpo inteiro tremeu mesmo assim.
Sandra viu.
Não comentou.
Quando Sandra brigava, ainda existia margem. Quando só olhava, estava contando o que quase perdera.
Riku permanecia junto à varanda quebrada, o braço preso por duas voltas de corda e uma flecha de Kauã cravada entre os tornozelos. O rosto estava inchado, um dente faltava, mas os olhos não deixavam o tufo de cabelo sobre a chapa de ferro.
Iori.
Ou o que a Montanha usara para parecer Iori.
Davi e as outras crianças estavam dentro do armazém, atrás de Joel e Marta. A porta ficava aberta só o bastante para Sandra vê-los.
Ninguém gostava dela aberta.
Ninguém gostava dela fechada.
Wellington observava a rachadura selada no centro do pátio. Alessandra mantinha uma bacia de água nas mãos; Kauã retomara o telhado. As quatro bordas continuavam ligadas ao centro.
Nilo voltou do norte com cinza até o cotovelo.
— O sino caiu, mas não quebrou.
Abriu a mão.
Na palma havia uma lasca de metal escuro, curva, marcada por dentro.
— Isso era do sino? — Heren perguntou.
— Era.
— Sino não tem carne.
A lasca se moveu.
Pouco.
Só o bastante para mostrar a sílaba.
Ta.
Takenaga.
Riku forçou a corda.
— Fica — Diogo disse.
— Você mal segura o próprio sangue.
Diogo tentou sorrir.
— Ainda seguro você.
Ele apoiou o peso no machado.
O corpo cobrou.
A pele perdeu cor, o peito travou e a boca encheu de sangue. Diogo vomitou na terra.
Até Riku parou.
Heren o segurou antes da queda.
— Eu avisei.
Sandra agachou diante do irmão e segurou seu rosto.
— Olha para mim.
Ele olhou.
— Você não sai deste pátio. Não levanta sem alguém do lado.
— Tem coisa batendo debaixo da praça. Tem clã sendo chamado pela metade. Tem criança no armazém.
A voz falhou na última frase.
Sandra demorou meio segundo.
— Por isso você fica.
— Isso não faz sentido.
— Faz. Só não é o sentido que você queria.
A Forja Carmesim corria fina no machado — vazamento daquilo que Diogo suportara, não poder gratuito. O corpo cobrava com juros: ombro aberto, pontos puxando nas costas, mão esquerda atrasada e a perna direita recebendo ordens depois do resto.
Pela primeira vez, proteger significava não correr para o lugar ameaçado.
A água na bacia tremeu duas vezes. Pausa. Duas vezes de novo.
Riku reconheceu.
— Mizuhara. Duas entradas, duas saídas.
Uma gota subiu no centro.
Mi.
Brina entrou pelo leste com a roupa molhada até os joelhos. Sena vinha atrás, protegida por uma barreira azul rachada.
— A nascente? — Alessandra perguntou.
— Não está mais no lugar — Sena respondeu.
Joel fechou os olhos na porta do armazém.
— Nascente também não anda.
— Hoje andou — Brina disse.
A gota puxou na direção das duas. Sena ergueu a barreira. A água bateu nela como dedo em madeira.
Tac.
— Fez isso na nascente — Sena disse. — Chamou pelo sobrenome primeiro. Depois pelo erro.
Riku endureceu.
— Iori?
— Yuma Mizuhara. Irmã de barreira. Da minha linha. Não devia estar na Montanha.
A proteção em seu braço perdeu brilho por um instante.
Riku soltou o ar cedo demais. Não era Iori.
O alívio durou até ele perceber o que significava ouvir o erro de outra pessoa.
— Não está puxando só gente perdida aqui — Wellington disse.
Alessandra acompanhou a gota.
— Está puxando relação.
Kauã caiu do telhado com uma ponta de flecha na mão.
Ferro escuro. Pesado. Cheiro de mina fria.
Heren a pegou com a pinça.
— Ishidoro.
No metal, uma marca surgia de dentro para fora.
Ishi.
A ponta suou uma gota. A água atravessou a mesa quebrada, caiu na terra e bateu.
Tac.
A rachadura respondeu por baixo.
Tac.
O armazém respondeu.
Tac.
Ta viera do norte. Mi tremia na água do leste. Ishi pingava do oeste. No sul, o fio azul ainda guardava o rastro de Iori.
As quatro bordas entregavam alguma coisa ao centro.
Uma criança chorou lá dentro.
Sandra já se movia.
— Diogo segura o centro. Heren fica com ele. Riku também.
Riku se levantou com a corda.
— Eu não fico.
Diogo tentou erguer o machado. A lâmina não saiu do chão, mas o vermelho vazou em volta do cabo.
— Senta.
Riku mediu o corpo falhando à sua frente e percebeu que Diogo não precisava levantar para impedi-lo.
Só precisava continuar no caminho.
Riku sentou.
— Depois a gente termina.
Diogo encostou a testa no cabo.
— Entra na fila.
Sandra entrou no armazém com Alessandra e Wellington.
O lugar cheirava a sal, milho seco e cera.
Joel guardava as velas numa caixa alta. Mesmo assim, uma estava acesa no chão, no meio das crianças.
Ninguém a acendera.
A chama queimava para baixo.
O pavio ficava em cima; a luz entrava na terra.
Marta segurava Davi contra o corpo. Ele olhava mesmo assim.
Sandra parou fora do círculo das crianças.
— Quem viu primeiro?
Uma menina levantou a mão, chorando.
— Lina viu — Joel disse.
Sandra olhou para ela.
— Fala.
— Achei que era vaga-lume. Estava debaixo do meu pé. Quando tirei o pé, a vela subiu.
O chão em volta da chama estava liso demais. Igual ao marco. Igual ao saco. Igual à rachadura.
Alessandra olhou para Davi.
— Você ouviu?
Ele assentiu.
— Contando.
— Até quanto? — Sandra perguntou.
— Não era número. Era por lugar.
A vela bateu.
Tac.
Davi apontou para baixo.
— Primeiro trilhas. Depois água. Comida. Porta. Sino. Nome. Briga.
Outra batida.
— Agora criança.
Marta o puxou com força.
— Não.
— Não é para levar — Davi disse. — É para saber onde fica.
Sandra colocou a lâmina entre a chama e as crianças. O fogo se dobrou para o metal como atenção.
Alessandra se agachou.
— Tem duas camadas. A vela não ilumina o armazém. Ilumina por baixo.
Um círculo apareceu na terra. Dentro dele, riscos marcaram crianças, adultos, porta, parede e caixa de velas: a vila em miniatura, vista de baixo.
Joel estava junto à porta. Marta, curvada sobre as crianças. Sandra, Wellington e Alessandra formavam uma meia-lua. A cada respiração, o ponto de Davi ficava mais fundo.
Sandra cortou o desenho. Ele se partiu e voltou mais rápido.
— Não corta igual — Alessandra disse. — Aprendeu o corte.
Wellington lançou sal em torno da vela.
A chama parou como bicho ouvindo passo.
— Ele não gosta de coisa que lembra dono — Davi disse.
Alessandra arrancou a última página escrita do livro de Joel.
— Isso era registro — ele protestou.
— Agora é prova.
Sandra pôs a folha sobre a chama. O fogo tentou entrar, mas encontrou tinta, peso, entrada, saída, nome e mão humana repetida.
Do lado de fora, o machado bateu.
Tac.
A chama encolheu.
Wellington virou para a porta.
— Diogo?
Heren gritou:
— Ele não levantou!
Diogo respondeu, rouco:
— Mas ouvi.
Sandra entendeu.
— Três batidas. Devagar.
— Se eu morrer batendo machado sentado, volto para te assombrar.
— Bate.
Tac.
O círculo perdeu a porta.
Tac.
Perdeu a parede. No pátio, a respiração de Diogo veio cortada e a faixa do ombro ganhou sangue novo.
Tac.
A chama apagou para baixo.
Na página chamuscada restou um mapa do armazém feito de ausência. Sob o lugar de Davi havia um único ponto.
Não marcara todas as crianças.
Só ele.
— Por quê? — Marta perguntou.
Davi apertou sua roupa.
— Porque eu escuto a contagem.
Respondeu como criança confessando ter quebrado uma tigela. Não havia orgulho. Só a certeza pequena de que aquilo já fazia parte dele.
Sandra guardou a lâmina pela metade.
— Davi não fica sozinho nem para respirar.
Do pátio veio um impacto de carne contra madeira.
Sandra saiu.
Riku estava de pé, a corda caída aos pés. Diogo também, mais ou menos: usava o machado como apoio, branco de suor.
— Eu mandei ficar — Sandra disse.
— Ele ouviu — Diogo respondeu.
— Meu nome — disse Riku. — Debaixo do pátio.
Na terra seca do centro havia quatro marcas: machado, água, ferro e bambu.
No meio, uma linha escrevia.
Ri.
Riku.
— Então abre — ele disse.
— Não — Diogo respondeu.
— Você vai cair.
— Provavelmente.
— Então sai.
— Não.
Sandra encarou o irmão.
— Você não é parede infinita. Hoje é escora rachada. Para de fingir que ainda é muralha.
Diogo abriu a boca.
Não encontrou resposta boa.
Kauã, da varanda, falou:
— Norte se mexeu. Patrulha errada.
No portão, cinco sombras surgiram na formação de Nilo. Distância e silêncio certos.
Certos demais.
— Meus homens estão no norte alto — Nilo disse.
As sombras deram um passo. A do meio veio atrasada. Na mão dela pendia o sino de Nilo.
Nilo reconheceu o ombro esquerdo de Tomás caindo depois de marcha longa. A primeira sombra fazia isso; as outras quatro erravam pequenas distâncias da formação.
— Chama pelo erro que só eles conhecem — Sandra ordenou.
Nilo levou as mãos à boca.
— Rato perdeu a bota!
A sombra da esquerda respondeu:
— Rato nunca teve bota.
Nilo soltou o ar.
— É Tomás.
— Espera — Wellington disse.
A sombra do meio levantou o sino.
Tac.
O som veio antes do movimento.
Wellington puxou Nilo. A terra onde ele estivera afundou um palmo.
Sandra cortou o ar entre o portão e as sombras. A figura da esquerda continuou humana. As outras quatro perderam detalhe, como tinta molhada.
Kauã disparou. A flecha atravessou a sombra do sino, que caiu para cima e sumiu na névoa.
Tomás caiu de joelhos do lado de fora.
Havia terra dentro da boca dele.
— Não deixa contar o quarto.
— Qual quarto? — Wellington perguntou.
Tomás abriu a boca. Três riscos curtos e um longo marcavam sua língua.
Ele bateu a testa no chão.
Tac.
As quatro sombras bateram junto.
Tac.
Do leste, a bacia respondeu.
Tac.
Do oeste, a ponta Ishidoro.
Tac.
Do centro, a terra.
Tac.
Cinco batidas.
Davi gritou do armazém:
— Agora!
As marcas completaram-se ao mesmo tempo.
Riku.
Mi.
Ta.
Ishi.
No papel de Joel, o ponto virou Da.
Davi.
A letra nasceu sobre o ponto que marcava o menino e começou a engrossá-lo, como se nome e lugar fossem a mesma coisa.
Diogo bateu o machado. A Aura Vermelha abriu um círculo baixo e parou a escrita, mas o derrubou de joelhos.
Os outros responderam antes que a Montanha retomasse.
Alessandra cobriu Mi com a bacia. A água subiu pelas bordas do cobre e se desfez sob a película azul.
Heren fechou Ishi num saco de sal. Quando o saco pulou, prensou-o entre o joelho e o chão como peça ruim de oficina.
Kauã cravou três flechas em torno de Ta. A lasca bateu contra cada saída e não encontrou rota.
Wellington segurou a página contra o peito enquanto Da queimava a margem.
— Isto é criança. Não é mapa.
Sandra chegou a Tomás.
Ele levantou os olhos, normais demais.
— Sandra Oliveira.
Ela parou.
— Tomás não me chama assim.
A boca sorriu.
— Então ensina.
Sandra cortou a sombra que usava a voz dele. Um fio quase transparente saltou da boca e tentou voltar. Kauã o pregou numa árvore.
Nilo arrastou Tomás para dentro do portão. As quatro formas recuaram na névoa como quem já anotara o suficiente.
No centro, Riku segurava Diogo pelo ombro.
— Tira a mão — Diogo disse.
— Cai sozinho, então.
A tentativa de riso virou tosse. Depois sangue.
Riku apertou mais forte.
Ninguém comentou.
Sandra recebeu o estado de cada frente: água marcada; metal vivo demais para metal; norte sem certeza; Tomás com a boca usada; Davi marcado como ponto de centro.
Quando olhou para Diogo, ele respondeu:
— Ruim.
— Especifica.
— Ombro aberto. Costas furadas. Pescoço cortado. Braço esquerdo falhando. Perna direita atrasada. Cabeça fazendo barulho.
— Deita.
— Se eu deitar, o centro fica leve.
Riku olhou para a marca de seu nome.
— Ele tem razão.
Alessandra se aproximou das inscrições.
— Peso segura. Não resolve.
— Então o que resolve? — Joel perguntou.
— Testemunha. A Montanha transformou relação em caminho. Nós vamos transformar caminho em registro.
Joel abraçou o livro.
— Meu livro, não é?
Sandra estendeu a mão.
— Livro.
Ele abriu o registro sobre o resto da mesa. Davi veio atrás, com as mãos de Marta nos ombros.
— Eu mandei ficar dentro — Sandra disse.
— Se eu ficar longe, ele escreve sem eu ver.
Marta estava branca, mas não o puxou de volta.
Isso decidiu.
Alessandra ditou:
— Riku Takenaga está presente por corpo e testemunha. Seu nome não pertence à terra da Montanha.
Joel escreveu. A tinta tremeu. A marca Riku tentou puxá-la da página, mas Wellington a conteve com Aura Rosa.
Quando terminou, o nome no chão rachou.
De baixo veio uma batida.
Tac.
Diogo respondeu com o machado.
Tac.
A marca apagou.
A mão de Riku no ombro de Diogo apertou uma vez.
Não foi agradecimento.
Foi o corpo conferindo se a testemunha continuava ali.
— Mizuhara — Sandra disse.
Sena deu um passo.
— Eu testemunho.
Joel registrou que Mi era fluxo, não nome completo. Alessandra segurou a bacia enquanto as duas letras viravam água.
Yuma continuava ausente, mas a Montanha perdera o direito de usar metade do sobrenome como corpo.
Sandra apontou para a ponta no sal.
— Ishidoro.
Heren franziu a testa.
— Não temos um deles.
Do portão oeste veio uma voz:
— Tem sim.
O homem que entrou era baixo e largo, coberto de poeira cinza e minério. A barba estava presa com fio de cobre; um martelo curto pendia da cintura. O braço esquerdo tinha placas de couro e ferro costuradas na manga.
Kauã puxou o arco.
O homem levantou as mãos e manteve os calcanhares fora do pátio. Homem de mina sabia que chão alheio também era ferramenta.
— Oren Ishidoro. A caverna oeste cuspiu três dos meus homens sem sombra. Depois escreveu Oliveira na parede.
Sandra não baixou a lâmina.
— Prova quem é.
Oren apontou para o saco de Heren.
— Se isso for ponta de mina Ishidoro, o sal demais vai rachá-la por dentro.
O sal já escurecia.
Heren xingou.
Oren ditou para Joel:
— Ferro sem mão volta para mina. Nome sem boca volta para dono.
O registro aceitou o testemunho. A ponta rachou e libertou fumaça preta. Kauã a prendeu numa flecha até queimar.
Oren observou a fumaça morrer sem satisfação.
— Era de uma das minhas galerias.
Restava Ta.
— Takenaga eu faço — Riku disse.
Sena negou.
— Você não tem autoridade sobre o clã inteiro.
O silêncio dele confirmou.
Perto da lasca, uma segunda palavra começou.
I.
Io.
Ior.
Iori.
Riku deu um passo. O braço de Diogo falhou antes de o machado bater.
Oren lançou o martelo contra a mão do Takenaga e o parou antes que tocasse a palavra.
— Se entra no nome, o nome ganha perna.
Riku virou, furioso. Uma flecha de Kauã fincou-se entre os dois.
Diogo olhou para Oren.
— Gostei dele.
— Você gosta de muita coisa idiota — Riku respondeu.
— Hoje já são três.
— Quem testemunha Takenaga? — Sandra perguntou.
Davi apontou para Diogo.
— Ele.
— Ele não é Takenaga.
— Mas segurou você quando seu nome tentou ir.
Alessandra entendeu.
— Testemunha não precisa ser sangue. Precisa ter visto e impedido.
Sandra levou o livro até Diogo.
— Fala.
Na segunda tentativa, a voz saiu baixa, mas firme.
— Riku Takenaga tentou correr para o nome de Iori. Eu impedi. Ele não passou. Então a Montanha não tem direito de usar isso como caminho.
Joel registrou.
A lasca Ta parou de afundar.
O nome Iori partiu ao meio. Metade ficou na superfície; a outra afundou letra por letra até sobrar terra escura.
Riku avançou meio pé e parou sozinho.
— Ficou metade.
— Porque metade talvez seja verdade — Alessandra disse.
— Você não sabe.
— Sei que mentira inteira costuma apagar diferente.
Davi se aproximou um passo.
— Ele está longe.
Riku olhou para o menino.
— Vivo?
Davi escutou a pedra por alguns segundos.
— Não sei.
A honestidade caiu pesada.
Riku assentiu uma vez. Davi não oferecera esperança falsa para acalmá-lo.
Sandra fechou o livro.
— Acabou por agora.
O chão discordou.
Tac.
A capa do registro estufou e abriu na última página. A tinta de Joel não foi apagada. Uma letra diferente apenas acrescentou:
Cinco contados.
Um centro ouvido.
Quatro bordas tocadas.
Nenhum nome tomado.
Outra linha apareceu.
Próxima contagem: porta de sangue.
Diogo tentou levantar.
O corpo cobrou primeiro.
Ele caiu de lado.
Riku o segurou antes que a cabeça batesse. Heren correu e buscou o pulso.
— Vivo. Muito aberto.
Sandra passou a mão pelo rosto de Diogo uma vez.
Rápido.
Depois levantou.
— Heren, leva para a oficina. Não para casa. Riku ajuda.
Riku abriu a boca.
— Você ainda deve por não ter morrido burro — Sandra disse.
Diogo murmurou, quase apagado:
— Eu disse isso primeiro.
— Cala a boca — Sandra e Riku responderam juntos.
Kauã olhou para o livro.
— Porta de sangue.
— Pode ser ferida — Alessandra disse.
Heren olhou para Diogo.
— Já temos.
Wellington encarou a rachadura selada.
— Ou linhagem.
A palavra mudou o pátio.
Sangue.
Clã.
Família.
Davi acompanhou Riku e Heren levantando Diogo.
— Não é porta para entrar.
Sandra virou devagar.
— Então é o quê?
O menino olhou para o livro e depois para a terra.
— É porta para escolher quem abre.
Lá embaixo, a Montanha bateu uma vez.
Tac.