Capítulo 6 — A Patrulha Que Voltou Pelo Lado Errado

Capítulo 6 — A Patrulha Que Voltou Pelo Lado Errado

Nilo ouviu o sino antes da praça.

Isso não devia ser possível.

A praça ficava no alto e o sino, na praça. Nilo estava ao norte, entre duas pedras frias da Escarpa dos Vigias, com quatro cultivadores atrás dele e o vento cortando-lhe a orelha.

Mesmo assim, o som veio debaixo de seus pés.

Tom.

Os outros quatro pararam. Brás, armado com uma lança curta, olhou para o chão.

— Isso veio da pedra?

Nilo ergueu a mão. Ninguém andou.

A linha norte era treinada para ver antes, atrasar antes e voltar antes de virar cadáver. Não havia ali crianças com varas nas mãos, mas cultivadores capazes de quebrar ossos de bestas pequenas, segurar uma trilha contra invasores e cobrar caro por cada metro tomado.

Só que a Montanha não era uma estranha.

Era casa.

E a casa começara a responder errado.

Tom.

Uma lasca de gelo se soltou da pedra alta e partiu no chão em três pedaços pequenos e um comprido.

Brás praguejou.

— Marca.

O primeiro marco norte continuava no lugar. O segundo também.

O terceiro estava virado para eles.

Nilo o fincara havia dois dias. A face marcada deveria olhar para fora da Montanha, nunca para dentro.

— Ninguém toca.

Cíntia já tinha a mão no cabo da faca.

— Eu não ia tocar.

— Sua mão ia.

Ela a afastou.

O vento mudou sem ganhar força. Em vez de descer, começou a subir a escarpa. Nilo respirou pelo nariz e sentiu pedra fria, pinho quebrado e água parada.

Brás também percebeu.

— Água no norte?

A fonte ficava no centro da vila. O norte nunca cheirava à fonte.

Tadeu se abaixou e tocou a terra com dois dedos. Sua aura era fraca, mas servia bem à leitura do chão: cabra perdida, intruso burro, bicho pesado. Quando ergueu a mão, os dedos estavam limpos.

— Sem rastro.

Uma faixa estreita de terra sem poeira passava entre as pedras, como se alguém tivesse varrido um caminho com cuidado.

— Voltamos — decidiu Nilo.

Brás virou-se para ele.

— Já? Nem confirmamos o terceiro marco.

Nilo olhou para o bambu virado.

— Confirmamos, sim.

O sino soou outra vez.

Tom.

A faixa limpa avançou um dedo na direção deles.

— Vila. Agora.

Eles voltaram depressa, sem correr. Correr ensinava pânico ao corpo, e um corpo em pânico errava trilha.

No meio do caminho, Tadeu parou tão de repente que Nilo quase bateu nele. À esquerda deveria haver mato baixo, pedra cinza e um buraco antigo onde as crianças eram proibidas de brincar.

Agora havia um bambuzal.

Estreito. Novo. Limpo.

Um pedaço do sul plantado no meio do norte.

Cíntia empalideceu.

— Isso não estava aqui.

Brás ergueu a lança.

— Bambu cresce rápido, mas não assim.

As hastes bateram sozinhas.

Tac.

Tac.

Tac.

Uma pausa.

Tac.

O quinto som não veio. A espera foi pior do que ouvi-lo. A coisa interrompera o ritmo como se desejasse que alguém o completasse.

— Ninguém responde — Nilo disse.

O bambuzal abriu uma passagem estreita, limpa e convidativa. Brás deu meio passo sem perceber. Cíntia segurou sua manga.

— Não.

Ele piscou.

— Eu...

— Eu sei.

Nilo entendeu. Aquilo não puxava o pé de Brás; puxava sua função. Ele era o primeiro escudo da patrulha. Diante de uma passagem, seu corpo queria ocupar a frente.

— Formação quebrada. Cíntia na frente. Eu atrás. Brás no meio.

Brás não gostou.

— Isso é ridículo.

— Por isso funciona.

Eles trocaram de posição.

O bambuzal ficou quieto.

A coisa esperava hábito. Quando o hábito mudou, precisou recalcular.

Dessa vez, a patrulha chegou à vila pelo caminho certo.

Ou quase.

A praça estava cheia de gente, mas já não parecia centro. Parecia nó.

Sandra permanecia ao lado da fonte, com a lâmina curta na mão e os olhos em cinco lugares ao mesmo tempo. Wellington estava sentado no degrau de pedra, uma faixa no peito e o rosto de quem queria se levantar, mas era impedido pelos próprios ossos. Diogo ocupava a saída sul. Alessandra falava com Marta e Davi perto das crianças.

Kauã não era visível. Portanto, estava em algum lugar útil.

Nilo parou na borda da praça.

— Norte alterado.

Sandra virou apenas o rosto; o restante dela continuou comandando.

— Relatório curto.

— Terceiro marco virado para dentro. Cheiro de fonte na escarpa. Bambu no caminho de volta.

Diogo olhou por cima do ombro.

— Bambu no norte?

— Sim.

Wellington levantou a cabeça.

— Ele bateu?

— Três curtos. Um longo.

A praça perdeu um pouco de ar. Sandra, não.

— Feridos?

— Não.

— Perdas?

— Nenhuma.

— Você voltou cedo.

— Voltei vivo.

Sandra assentiu.

— Boa decisão.

Nilo recebeu o elogio como peso, não como prêmio.

Uma cabra berrou perto do curral.

O animal, porém, permanecia amarrado junto à fonte desde a noite anterior.

O berro viera do oeste.

Diogo começou a andar. Sandra segurou seu braço.

— Você fica.

— Berro no oeste, marca no norte, sul fechado. Eu fico?

— Fica.

— Essa palavra está ficando pessoal.

— Está ficando necessária.

Wellington tentou se levantar. Sandra apontou para ele sem olhar.

— Você também.

— Posso mandar meu espírito ir?

— Pode mandar ele sentar.

Heren saiu da oficina com uma haste de ferro, uma tira de couro e uma expressão ruim. Joel vinha atrás.

— O armazém está quente — Heren disse.

— O armazém não. A dobradiça — Joel corrigiu.

— A dobradiça faz parte do armazém.

— Não ajuda.

Sandra enviou Alessandra com os dois e chamou:

— Kauã.

A resposta veio do alto da casa de Marta:

— Vi.

— Oeste.

Kauã desapareceu antes do fim da palavra.

Wellington examinou o chão. Uma noite de gente espremida na praça deveria ter deixado pegadas, cinza, água e comida derramada. Em vez disso, havia linhas limpas entre os grupos: não caminhos inteiros, apenas sugestões de por onde alguém passaria caso precisasse correr.

— Sandra.

— Eu sei.

— Não sabe tudo.

Ela olhou para ele.

— Então fala.

Wellington apontou. Uma faixa ligava a fonte ao armazém; outra ia da praça ao sul; a terceira seguia do centro até as crianças.

— Não está abrindo passagem. Está desenhando escolha.

Davi ocupava o fim da última linha. Marta puxou o menino para o lado.

A faixa permaneceu apontada para onde ele estivera.

Não o seguiu.

Wellington se levantou antes que Sandra pudesse impedir. A costela mordeu com força, mas a dor era dele. O chão não tinha o direito de usá-la.

Ele se agachou diante da faixa e deixou a Aura Rosa subir rente à pele, baixa o bastante para não se oferecer, forte o bastante para dar bordas ao mundo.

A linha não tinha cheiro, poeira ou calor. Era ausência arrumada.

— Não pisa aqui.

Sandra ergueu a voz:

— Todos longe das linhas claras. Devagar. Ninguém cruza caminho limpo.

A ordem funcionou por quatro respirações.

Depois o oeste gritou.

Não foi cabra. Foi homem.

Diogo avançou um passo. Dessa vez, Sandra permitiu.

— Oeste. Só traz informação se puder. Se não puder, traz gente.

Ele sorriu sem alegria.

— Agora falou certo.

Saiu com o machado nas costas.

Nilo ainda estava na borda da praça.

— O norte não veio atacar.

Wellington o encarou.

— Veio para quê?

— Fazer a gente trocar de posição. A passagem abriu quando Brás estava na frente e ficou quieta quando mudamos a formação.

Sandra entendeu.

— Está lendo função.

— Sim — Wellington confirmou. — Não só nome.

Dentro do armazém, a dobradiça estalou.

— Ninguém encosta na porta — Alessandra avisou.

Joel respondeu:

— Eu não ia.

Heren corrigiu:

— Sua mão ia.

A dobradiça soltou vapor. A fumaça subiu em linha reta, não para o céu, mas para o sul.

Alessandra apareceu à porta.

— Está marcada por dentro. Três curtos, um longo e um risco atravessando.

— O que mudou? — Wellington perguntou.

— Antes a marca chamava. Agora impede de fechar.

Heren empurrou a porta com o cabo da ferramenta. A madeira encostou no batente, recuou um dedo e tornou a encostar.

Tac.

Tac.

Tac.

Uma pausa.

Tac.

O armazém aprendera a bater por dentro mesmo aberto.

— Heren, prende aberto. Joel, tira o registro daí. Alessandra, vê se há linha para a comida — Sandra ordenou.

— Já vi.

— E?

— Não vai para a comida. Vai para os nomes.

Joel abraçou o livro de registro.

A porta tornou a bater, mais forte.

Do oeste veio outro grito. Dessa vez, Diogo respondeu com um impacto que fez o chão tremer.

Quase todos olharam.

Sandra, não.

Uma mulher entrou correndo pela trilha dos Paredões Claros. Brina tinha sangue na testa, embora não parecesse ser dela.

— Leste voltou duas vezes.

Sandra estreitou os olhos.

— Explica.

— Saímos para conferir a nascente clara. Chegamos, voltamos e entramos na praça. Só que...

Brina olhou para trás. Três cultivadores apareceram na saída leste.

O quinto não.

Sandra contou.

— Cadê Arlo?

— Ele voltou com a gente, mas entrou pelo norte.

Nilo se virou.

Arlo surgiu entre as casas. Andava devagar, molhado dos ombros à cintura. Cada gota caía sem som.

Parecia acordado. Esse era o problema. Os olhos estavam abertos, mas não carregavam a pressa de ninguém vivo.

Sandra ergueu a mão.

— Ninguém chega perto.

Arlo parou. A água continuou escorrendo.

— Arlo? — Brina chamou.

Ele virou a cabeça.

— A nascente fechou.

A voz era dele. A pausa, não.

Wellington aumentou um pouco a Aura Rosa. O ar ganhou contorno ao redor de Arlo.

Não havia sombra atrás dele, apenas chão molhado.

— Arlo — chamou Sandra. — Nome completo.

A boca abriu, fechou e tornou a abrir.

— Arlo.

Sandra expôs um dedo da lâmina.

— Nome completo.

A água parou de pingar. Arlo olhou para baixo, como se esperasse que o restante da resposta saísse do chão.

— Arlo.

Diogo surgiu na rua oeste carregando um homem pelo ombro.

Não era da vila. Vestia couro escuro, faixa no braço e botas compridas cobertas de lama cinza. O rosto sangrava, e uma faca quebrada continuava presa em sua mão.

Kauã vinha atrás, arco armado para a nuca do estranho.

Diogo o jogou no chão.

— Achei isso tentando correr.

Sandra não desviou os olhos de Arlo.

— Vivo?

— Infelizmente.

O estranho cuspiu sangue.

— Eu não subi.

Diogo colocou o pé em seu peito.

— Começou mal.

— Veio do oeste, mas as botas são do sul — Kauã informou.

Wellington comparou Arlo e o intruso: um homem da vila voltando sem o nome completo; outro jurando não ter subido. Uma frente interna e uma externa no mesmo minuto.

— Diogo, tira o pé. Não mata antes de ele ser útil — Sandra disse.

— Tentou cortar Kauã.

Kauã corrigiu:

— Tentou cortar onde eu estaria se fosse mais lento.

— Pior.

O estranho respirou com dificuldade.

— Eu não subi. A trilha me cuspiu aqui.

Wellington se aproximou.

— Qual clã?

O homem riu, deixando sangue entre os dentes.

— Nenhum que vocês possam cobrar.

Diogo inclinou o machado.

— Eu cobro de pessoa também.

A coragem do intruso diminuiu.

— Takenaga.

Clã pequeno do sul. Guias falsos, emboscadas, contrabando. Gente que entendia de bambuzal mais do que gente honesta deveria.

— Por que estava na borda oeste? — Sandra perguntou.

— Eu estava no sul.

— Mentira — disse Diogo.

Wellington examinou as botas: lama do sul, corte de pedra oeste na lateral, bambu preso à fivela e água clara pingando da sola.

Sul, oeste e leste reunidos no mesmo homem.

— Não é mentira — Wellington concluiu.

Diogo virou-se para ele.

— Ele tentou cortar Kauã.

— Isso também é verdade.

— Você está deixando a vida dele complicada.

— A Montanha chegou antes.

Arlo deu um passo.

A água voltou a pingar.

Tac.

Não era som de gota, mas de bambu em pedra.

Brina tentou se aproximar. Alessandra segurou seu braço.

— Ele é da minha linha.

— Então escuta melhor.

Arlo abriu a boca.

— A nascente fechou.

— Você já disse isso — Sandra respondeu.

Ele piscou e, pela primeira vez, pareceu assustado.

— Eu disse?

Wellington chegou mais perto.

— O que viu na nascente?

— Meu rosto.

— Na água?

— Na pedra. A nascente estava seca e a pedra, lisa. Meu rosto estava nela, mas eu estava atrás de mim.

— Eu ouvi vocês chamando.

Sandra perguntou:

— Quem chamou?

Arlo olhou para Brina.

— Todos.

— Mentira — ela disse.

— Eu sei.

A voz dele enfim quebrou e voltou a pertencer-lhe.

— Eu sei.

A água caiu mais depressa.

Tac.

Tac.

Tac.

Uma pausa.

Tac.

O Takenaga começou a rir no chão, baixo e sem alegria. Não era deboche, mas um alívio ruim. Gente que encontra outro perdido se sente menos condenada.

Sandra olhou para ele.

— Quantos estavam com você?

Silêncio.

Diogo ergueu o machado.

— Cinco.

Kauã apareceu atrás do prisioneiro.

— Eu vi só um.

— Porque os outros não foram cuspidos aqui.

— Onde estão?

O homem olhou para a saída sul.

— Se a trilha foi justa, mortos.

Wellington se agachou perto dele.

— E se não foi?

O Takenaga encontrou seus olhos.

— Pior.

O armazém bateu de novo. A porta aberta recuou, e o registro puxou para fora das mãos de Joel. Heren agarrou o livro junto com ele.

As folhas viraram rápido demais. Alessandra pousou a mão sobre o papel. Uma linha azul brilhou em seus dedos — não armadura nem técnica inteira, apenas limite.

As folhas pararam numa página.

— É o Fundo dos 200 — Joel disse.

Marta abraçou Davi.

Comida, feridos, idosos, crianças. Gente que dependia da vila inteira.

A linha limpa se moveu em direção à fonte.

Wellington deixou a Aura Rosa entrar na espada. A faixa parou diante da cerca nova.

— Está escolhendo o que pesa mais — Sandra disse.

Alessandra negou.

— Está descobrindo o que a gente não pode abandonar.

Arlo caiu de joelhos. Brina tentou correr, mas Sandra apontou a lâmina.

— Fica.

Arlo vomitou água — mais do que cabia em seu corpo. O líquido se espalhou sem obedecer à inclinação e correu em quatro direções.

Norte. Leste. Oeste. Sul.

Cada filete parou diante de uma pessoa: Nilo, Brina, o Takenaga caído e Joel.

— Linhas — Wellington disse.

— Quais?

— Defesa, nascente, intruso e sustento.

Diogo tirou o pé do prisioneiro e se colocou entre a água e Joel.

— E eu?

O filete perto de Joel recuou um dedo.

— Você é a resposta que ela já esperava.

Diogo não gostou.

— Então vou ser outra.

Ele saiu de Joel e foi para Arlo. A água demorou meio segundo para se ajustar.

Meio segundo bastou para Sandra.

— Troquem funções.

A ordem atravessou a praça. Nilo puxou Brás para outra posição. Brina deixou Arlo e foi para o livro. Kauã desceu do telhado e apareceu ao lado de Joel. Diogo assumiu a fonte. Alessandra segurou a linha entre a água e as crianças. Wellington recuou da faixa limpa.

Sandra ficou no centro.

Por um instante, nada respondeu.

A Montanha aprendera hábitos, não improvisos.

Ainda.

A água de Arlo tremeu. O Takenaga começou a respirar mais depressa.

— O que vocês fizeram?

— Mudamos de lugar — Sandra respondeu.

— Isso não segura.

— Não precisa segurar para sempre — Wellington disse. — Só até ela errar a próxima leitura.

A faixa limpa escureceu sem avançar, como se a irritação também tivesse cor.

Então veio o som, ao mesmo tempo do norte, do leste, do oeste e debaixo da praça.

Tac.

Tac.

Tac.

Uma pausa.

Tac.

Depois, mais baixo, um quinto som.

Não era ponto. Era resposta.

Davi começou a chorar sem ruído. Marta o apertou.

— O que foi?

Ele apontou para Arlo.

— Ele voltou com uma coisa atrás.

Atrás dele, a água formava uma sombra — não de homem, mas de porta. Baixa, estreita, feita de líquido parado e chão limpo.

Sandra ergueu a lâmina.

— Todos para trás.

O Takenaga tentou se arrastar. Diogo pisou em sua roupa.

— Você fica.

— Aquilo não é de vocês.

— Nem você.

A porta de água abriu um dedo. O ar que escapou cheirava a nascente fechada, bambu novo e ferro guardado.

A costela de Wellington doeu no mesmo ponto em que a besta o atingira.

Fenda. Fonte. Armazém. Casas. Patrulha.

Não era uma invasão por um caminho. Era um mapa fazendo perguntas.

Sandra cortou o ar diante da porta. A Aura Verde passou fina e precisa. A abertura não fechou, mas parou de crescer.

— Não dá para cortar inteiro.

Wellington estudou a água.

— Porque não está inteira aqui.

Sem virar o corpo, Kauã apontou para o sul.

— Movimento no bambuzal.

Nilo olhou para o norte.

— O marco virou de novo.

Brina segurou o livro do Fundo dos 200.

— A página está molhando.

Heren falou da porta do armazém:

— A dobradiça está esfriando.

Joel piscou.

— Isso é bom?

— Não sei.

Diogo riu uma vez, curto e feio.

— Quatro problemas.

Sandra parecia menos surpresa do que cansada de estar certa.

— Cinco.

Todos seguiram seu olhar. Davi encarava a porta de água, e a porta olhava de volta.

Não tinha olhos. Mesmo assim, olhava.

Sandra dividiu a vila: Nilo ao norte, Brina ao leste, Heren e Joel no armazém, Kauã sobre o sul, Alessandra com as crianças e o livro.

— Diogo...

— Porta.

— Porta.

Ele sorriu com alguma coisa parecida com vontade.

Sandra olhou para Wellington.

— Você fica comigo.

— Achei que eu ia sentar.

— Vai pensar em pé.

— Evolução.

O Takenaga alternou o olhar entre Diogo e a porta.

— Se bater nisso, ela aprende você.

Diogo apoiou o machado no ombro.

— Então vai aprender direito.

Wellington encarou o estranho.

— Por que está avisando?

O homem riu baixo.

— Porque nós éramos cinco no sul.

A porta abriu mais um dedo. A voz dele falhou.

— E ela devolveu só o pior de mim.

A água escureceu. Por um instante, uma mão apareceu do outro lado.

Não saía.

Esperava.

Na palma havia três riscos curtos, um longo e um quinto ponto — pequeno, molhado, recente.

Davi sussurrou:

— Agora tem cinco.

Três curtos. Um longo. Um ponto.

Não era apenas uma marca.

Era contagem.

Sandra disse o que ninguém queria ouvir:

— Ela aprendeu a contar patrulha.